A INVENÇÃO DO PAPEL
A invenção do papel foi um processo desenvolvido ao longo dos tempos históricos, simultaneamente
por diferentes povos em diferentes regiões geográficas.
O Papiro que é um dos predecessores do papel como o são outros produtos similares obtidos por martelagem
ou prensagem de materiais fibrosos faz parte de uma série de produtos conhecidos pelo nome genérico de "tapa" os
quais eram feitos não só do papiro do Nilo mas também e principalmente da camada mais interior das
cascas (liber) de várias plantas lenhosas como amoreiras, figueiras e outras com destaque para as do género
Daphne.
Este "tapa" encontrava-se com muita frequência ao longo de uma faixa geográfica a norte da região
equatorial.
A técnica mais antiga é ainda hoje utilizada para fazer papel em algumas regiões dos Himalaias e do
Sueste Asiático, consistindo no seguinte:
Um cozimento de fibras do "liber" (casca interior) de certas árvores e arbustos é estendido por martelagem
com martelos de madeira (maços) até que se forme uma camada delgada de fibras que depois é misturada
com água numa celha até formar pasta. Numa outra celha grande com água é colocado um caixilho
de madeira (fôrma) com um fundo de pano que fica submerso um pouco abaixo da superfície da água. O "papeleiro"
despeja na fôrma a quantidade de pasta necessária para fazer uma folha de papel e espalha-a com a mão até
formar uma camada delgada e uniforme sobre o fundo de pano da fôrma a qual é retirada da água que começa
a escorrer através do pano, ficando sobre este a nova folha de papel, sendo o conjunto colocado ao sol ou ao lume para
secar. Quando seca esta folha separa-se facilmente do tecido da fõrma e para além de um possível alisamento
não necessita de mais tratamentos até ser utilizada (para escrita ou desenho).
Trata-se de uma técnica com dois inconvenientes imediatos. Primeiro é necessário uma fôrma
para cada nova folha de papel a qual só poderá ser novamente utilizada após a secagem da folha anterior nela
fabricada. O segundo inconveniente reside na dificuldade em se obterem rapidamente os cozimentos de liber nem sempre
disponível em quantidade suficiente.
Descobertas recentes de papéis em túmulos chineses muito antigos, mostraram que na China se fabrica papel
desde os últimos séculos antes da Era Cristã. Não há dúvidas que os chineses foram
aperfeiçoando as técnicas de fabrico de papel substituindo o tecido do fundo da fôrma por uma
teia de pequenos paus de bambu e assim libertaram o "papeleiro" da necessidade de nela secar a folha de papel uma vez
que esta ainda molhada escorrega sobre o fundo de bambu podendo ser então posta a secar.
Ainda na China e segundo registros existentes, no ano 105 da Era Cristã o oficial da corte imperial Ts'ai Lun
inventou o fabrico do papel a partir de desperdícios de téxteis ou seja de trapos.
E assim surgiu o papel tal como hoje o conhecemos.
Depois os papeleiros chineses foram diversificando a produção introduzindo no uso corrente vários
tipos de papéis como os papéis encerados, revestidos e tingidos, ou protegidos contra insetos mas as
dificuldades para satisfazer a procura crescente dos serviços públicos levaram-nos a procurar mais fibras e
optaram então pelo bambú que desfibravam cozendo-o em meio alcalino (lixivação).
Da China as técnicas de fabricação do papel passaram rapidamente à Coreia e foram
introduzidas no Japão no ano 610 da nossa Era. Nestes dois países o papel é ainda, e em escala
significativa, fabricado manualmente seguindo a velha tradição e de preferência a partir de
fibras virgens do liber da amoreira (em japonês Kaza). Após o cozimento as fibras longas e íntegras
são preparadas apenas por batimento o que dá ao papel um aspecto característico e uma excelente
qualidade a qual é devida entre outras razões às repetidas e rápidas imersões da
fôrma o que dá origem a uma folha de papel de camadas múltiplas o que muito melhora a sua qualidade.
O conhecimento da maneira de fazer papel espalhou-se rapidamente pela ásia Central e Tibete e daí
passou à Índia. Os árabes na sua expansão para o Oriente tomaram contacto com a
produção deste novo material suporte da escrita na região de Samarcanda e subsequentemente
instalaram fábricas de papel em Bagdad, Damasco, Cairo e mais tarde em Marrocos, na Espanha e na Sicília,
utilizando, quase exclusivamente trapos pois era-lhes dificil obter outros materiais fibrosos.
Os equipamentos primitivos do processo tais como os moínhos para os trapos permitiam apenas produzir uma pasta
mecânica de fraca qualidade. Os árabes, no entanto, conseguiam com fôrmas de juncos, fazer folhas delgadas
de papel que revestiam em ambas as faces com pasta de amido o que melhorava a sua qualidade para escrita e a sua
aparência fina.
Fonte: http://www.celpa.pt/historia/
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